Ligação da madrugada

– Anda, joga logo, é sua vez.

– Estou pensando, calma.

Aquele jogo de buraco não ia a frante com Washington demorando tanto, mas também, aquela hora da madrugada quem poderia se concentrar.

A Agência Espacial a Serviço da Busca por Inteligência Extraterrestre funcionava por turnos, e a madrugada era de Brian e Washington. O monitoramento consistia em enviar e receber sinais ao espaço e procurar por movimentações que poderiam ser provas de vida extraterrestre. – “Tudo isso é muito bonito na teoria, mas na prática é passar a madrugada sem fazer muita coisa, as vezes registrando um cometa fora de órbita” – Costumava dizer Washington para sua esposa.

Chovia muito naquela noite, Brian estava cada vez melhor no Buraco, fazendo Washington passar por mals bocados constantemente.

– Você já me deve um ingresso para o jogo haha. – Dizia ele achando graça da desgraça do colega.

Brian que no passado foi um grande entusiasta no começo da carreira, agora já não acreditava tanto assim em vida inteligente no espaço. Claro, vida num universo tão grande definitivamente existiria, mas daí acreditar que uma comunicação entre essas espécies com os humanos fosse possível era coisa do passado. Ele não era mais tão inocente.

– Vamos lá, ta na hora de virar esse jogo.

– Shhh, escuta.

– O que?

Brian levantou para olhar o painel, quando viu um sinal sendo detectado. Whasington agora levantava apressado derrubando as cartas e começava a efetuar os procedimentos padrão.

– Eu nunca vi algo assim antes. – Dizia Brian surpreso.

– Nem eu, de onde está vindo?

– Estou rastreando, me dê mais 1 segundo.

– Rápido, vamos perder o sinal.

– Achei! Vem das proximidades de Júpiter.

– Vou isolar a área… consegui. Vem de Ganimedes! – Washington não podia acreditar.

Como era possível, anos trabalhando na NASA e nunca nada assim tinha sido visto. Um sinal, claro, buscando comunicação.

– Sumiu! Não acredito, droga.

– Decifrou?

– Não mas gravei, foi muito rápido, não deu tempo pra nada. – dizia Brian preocupado.

– Mas pelo menos está registrado, ninguém vai achar que foi delírio nosso.

Existia uma piada interna na NASA a respeito de um antigo funcionário aposentado, que alegava ter conversado por mais de 1 hora com um extraterrestre. Como nunca houve provas, e por ter sido tarde da noite, todos achavam que se tratava de um delírio causado pelo sono.

“Eu sei o que vi! Ele queria saber sobre Páscoa!”

“A data comemorativa?”

“Não, a ilha! Dizia algo sobre telefonar para casa”.

Claro, o veterano não passava de chacota agora, principalmente por citar que os E.T.s o convidaram para uma social na lua. Levou o mês todo tentando convencer seu superior a mandá-lo ao espaço para encontrar seus amigos alienígenas, mas não teve sucesso no pedido.

– Certo, não vamos perder tempo. Eu vou começar a analisar a mensagem e você tente um novo contato com eles. Mande o sinal para as mesmas coordenadas. – Washington instruia Brian.

– Mas que tipo de sinal?

– Em… espera… eu… nunca vi um sinal assim, que formato é esse?

– Continua analisando, tenta decifrar. Vou mandar em código Morse.

Washington continuou uma análise incessante no sinal recebido. Todos na NASA estavam boquiabertos com o que havia acontecido. Nunca se tinha ouvido falar de uma atividade registrada tão surpreendente.

Agora Brian e Washington trabalhavam em tempo integral, apesar de seus superiores quererem “assumir” a descoberta, eles estavam decididos a acompanhar cada passo do que estava acontecendo. Sua liderança na pesquisa só foi permitida pois apenas eles sabiam a localização exata de onde o sinal havia sido enviado.

O sinal era absurdamente estranho, 1 mês e meio havia se passado desde o incidente e Washington não havia conseguido decifrá-lo. Exausto e decidido a conseguir ele continuava seu trabalho. As coisas na Agência Espacial já haviam esfriado. A animação havia diminuido após esse tempo sem nenhum resultado nas pesquisas.

Brian havia se dedicado por todo esse mês em uma comunicação com os E.T.s, com mensagens de rádio ele procurava as formas inteligentes de vida que enviaram o sinal de uma das luas de Júpiter.

Foi numa madrugada, novamente sozinhos em seu turno. Brian e Washington praticamente moravam na Agência Espacial agora. Brian enviara incessantemente uma mensagem para Ganimedes que dizia: “Recebemos o seu sinal, mas não o entendemos. Por favor, reenvie usando esta linguagem e este código de transmissão”. Sem sucesso até então, quando menos esperavam o sinal reapareceu!

– São eles! São eles! – Gritava Brian para Washington, que largava o que estava fazendo para ajudar na comunicação.

– Analisando o sinal… BRIAN! ESTÁ EM CÓDIGO MORSE!

– O que diz?

“Nós não estamos falando com vocês”.

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