Até Quando Esperar

“…mas a gente pode continuar, eu gosto de você.”

“Preciso tirar um tempo pra mim.”

“Então nós vamos dar um tempo?”

Conversava Fabrizio por mensagens no celular, enquanto estava sentado em um banco de rua. Escolheu um local bonito e agradável para tentar salvar o seu relacionamento.

“Mas afinal, quem conversa coisas sérias como essas por mensagens ou telefonemas? As pessoas deveriam ser capazes de pelo menos conversar pessoalmente!” – pensava indignado, incomodado com a frieza dos relacionamentos de hoje em dia.

Com os olhos cheios de água, mas sem derramar nenhuma lágrima, porque afinal homem não chora, Fabrizio continuava esperando por respostas, mas que pararam de chegar e pelo visto, não chegariam mais. Nesse momento algumas lágrimas começaram a escapar.

– Droga. – limpava o rosto, tentando disfarçar o choro.

– Você está bem? – perguntava alguém, enquanto se sentava ao seu lado.

Fabrizio olha para o lado e avista uma senhora sentada.

– Não é nada importante. – respondeu.

– Mas perder alguém é algo muito importante.

Fabrizio ri sem graça.

– Me diga, a quanto tempo estavam juntos?

– Pouco tempo… mas já estavamos nos gostando muito.

– Ela deve ser muito especial então. Você conheceu a família dela?

– Bem, não…

– No meu tempo a gente conhecia a família antes de começar a namorar, hoje vocês jovens já começam pelo final, não é assim que fazem?

Totalmente sem graça de falar de sua vida sexual com uma senhorinha, ele apenas fica mudo, enquanto assiste a coroa sorrindo, até tomar coragem e dizer algo.

– Eu não acho que vou encontrar alguém como ela mais.

– Antigamente, perder alguém, era algo muito sério. Principalmente no interior. Não se achavam opções em cada esquina, sabe? Terminar um relacionamento, significava, talvez, ficar sozinho por muito tempo. Em alguns casos para a vida toda. Claro que as pessoas também aproveitavam a vida, sem compromisso, mas não era como hoje em dia.

– Eu não me importaria de esperar por ela, sabe, dona…?

– Carola meu filho, mas todos me chamam de dona Carol.

– A senhora é casada dona Carol?

– Sou sim, mas não está aqui agora.

– Falecido? – Fabrizio já preparava um “sinto muito” para soltar na sequência.

– Oh não (sorria), apenas foi embora.

– Como assim?!

– Ora, não se assuste tanto. Ele foi embora porque precisou trabalhar. Vai demorar um pouco porque a viagem é longa. É de barco sabe?

– Ah claro…

– Eu estou esperando ele voltar.

Fabrizio fica feliz ao ouvir uma história como a da senhora e inveja um pouco a situação de ter alguém que mesmo longe é mais fisicamente presente do que seus últimos 3 relacionamentos.

– Então jovem, me diga, o que decidiu fazer a respeito da menina?

– Sinceramente não sei, penso em ir atrás, tentar convencer a continuar o que começamos. Não quero desistir.

– Se ela te amar, então vale a pena. Você tem que se perguntar até quando vale a pena meu filho. – Dizia a senhora se levantando.

– Obrigado, de verdade. – Disse Fabrizio enxugando o rosto.

– Não por isso.

Ao olhar novamente em volta, o jovem coração partido não avistou mais a senhora simpática que o consolava e assim decidindo ir embora.

Se levantando, Fabrizio avista uma placa no banco onde estava sentado, que dizia: “Monumento em homenagem a Carola Amorim, esposa do general George Amorim, morto em serviço em 1945. Carola, sem saber do ocorrido, esperou pelo regresso de seu marido por 20 anos nesta praça, até seu falecimento.”

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