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Até Quando Esperar

“…mas a gente pode continuar, eu gosto de você.”

“Preciso tirar um tempo pra mim.”

“Então nós vamos dar um tempo?”

Conversava Fabrizio por mensagens no celular, enquanto estava sentado em um banco de rua. Escolheu um local bonito e agradável para tentar salvar o seu relacionamento.

“Mas afinal, quem conversa coisas sérias como essas por mensagens ou telefonemas? As pessoas deveriam ser capazes de pelo menos conversar pessoalmente!” – pensava indignado, incomodado com a frieza dos relacionamentos de hoje em dia.

Com os olhos cheios de água, mas sem derramar nenhuma lágrima, porque afinal homem não chora, Fabrizio continuava esperando por respostas, mas que pararam de chegar e pelo visto, não chegariam mais. Nesse momento algumas lágrimas começaram a escapar.

– Droga. – limpava o rosto, tentando disfarçar o choro.

– Você está bem? – perguntava alguém, enquanto se sentava ao seu lado.

Fabrizio olha para o lado e avista uma senhora sentada.

– Não é nada importante. – respondeu.

– Mas perder alguém é algo muito importante.

Fabrizio ri sem graça.

– Me diga, a quanto tempo estavam juntos?

– Pouco tempo… mas já estavamos nos gostando muito.

– Ela deve ser muito especial então. Você conheceu a família dela?

– Bem, não…

– No meu tempo a gente conhecia a família antes de começar a namorar, hoje vocês jovens já começam pelo final, não é assim que fazem?

Totalmente sem graça de falar de sua vida sexual com uma senhorinha, ele apenas fica mudo, enquanto assiste a coroa sorrindo, até tomar coragem e dizer algo.

– Eu não acho que vou encontrar alguém como ela mais.

– Antigamente, perder alguém, era algo muito sério. Principalmente no interior. Não se achavam opções em cada esquina, sabe? Terminar um relacionamento, significava, talvez, ficar sozinho por muito tempo. Em alguns casos para a vida toda. Claro que as pessoas também aproveitavam a vida, sem compromisso, mas não era como hoje em dia.

– Eu não me importaria de esperar por ela, sabe, dona…?

– Carola meu filho, mas todos me chamam de dona Carol.

– A senhora é casada dona Carol?

– Sou sim, mas não está aqui agora.

– Falecido? – Fabrizio já preparava um “sinto muito” para soltar na sequência.

– Oh não (sorria), apenas foi embora.

– Como assim?!

– Ora, não se assuste tanto. Ele foi embora porque precisou trabalhar. Vai demorar um pouco porque a viagem é longa. É de barco sabe?

– Ah claro…

– Eu estou esperando ele voltar.

Fabrizio fica feliz ao ouvir uma história como a da senhora e inveja um pouco a situação de ter alguém que mesmo longe é mais fisicamente presente do que seus últimos 3 relacionamentos.

– Então jovem, me diga, o que decidiu fazer a respeito da menina?

– Sinceramente não sei, penso em ir atrás, tentar convencer a continuar o que começamos. Não quero desistir.

– Se ela te amar, então vale a pena. Você tem que se perguntar até quando vale a pena meu filho. – Dizia a senhora se levantando.

– Obrigado, de verdade. – Disse Fabrizio enxugando o rosto.

– Não por isso.

Ao olhar novamente em volta, o jovem coração partido não avistou mais a senhora simpática que o consolava e assim decidindo ir embora.

Se levantando, Fabrizio avista uma placa no banco onde estava sentado, que dizia: “Monumento em homenagem a Carola Amorim, esposa do general George Amorim, morto em serviço em 1945. Carola, sem saber do ocorrido, esperou pelo regresso de seu marido por 20 anos nesta praça, até seu falecimento.”

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Relatos da Primeira Depilação!

Eu de vez enquando coloco uns textos meus no blog. Alguns contos. Mas as vezes acho textos de outras pessoas tão bons, que fica impossível não postar.

Leia o relato de um moça que se depilou pela primeira vez.

virilha_pelada

“Tenta sim. Vai ficar lindo…”

Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos m…e avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.

– Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
– Vai depilar o quê?
– Virilha.
– Normal ou cavada?

Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.

– Cavada mesmo.
– Amanhã, às… Deixa eu ver…13h?
– Ok. Marcado.

Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de “Calígula” com “O albergue”.

Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
– Querida, pode deitar.

Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo.
De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.

– Quer bem cavada?
– .é… é, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
– Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
– Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma esp átula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).

– Pode abrir as pernas.
– Assim?
– Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
– Arreganhada, né?
Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
– Tudo ótimo. E você?

Ela riu de novo como quem pensa “que garota estranha”. Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes. O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
– Quer que tire dos lábios?
– Não, eu quero só virilha, bigode não.
– Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
– Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
– Olha, tá ficando linda essa depilação.
– Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.
Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo.
“Me leva daqui, Deus, me teletransporta”. Só voltei à terra
quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
– Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
– Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
– Vamos ficar de lado agora?
– Hein?
– Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
– Segura sua bunda aqui?
– Hein?
– Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la.
Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
– Tudo bem, Pê?
– Sim… sonhei de novo com o cu de uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.
– Vira agora do outro lado.
Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
– Penélope, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
– Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
– Máquina de quê?!
– Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
– Dói?
– Dói nada.
– Tá, passa essa merda…
– Baixa a calcinha, por favor.

Foram dois segundos de choque extremo: “Baixe a calcinha”…. como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.

– Prontinha. Posso passar um talco?
– Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
– Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar…namorar?!… eu estava com
sede de vingança.
Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.
Mas eu ainda estou na luta…
Fica a minha singela homenagem para nós mulheres!

VALERIA SEMERARO

 

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Sob Pressão

Quando se está procurando emprego vemos coisas que nos fazem pensar. Olhando os anúncios de emprego li uma exigência de uma grande empresa, exigência essa que é comum em muitas empresas que estão a procura de funcionários.

“Acostumado a trabalhar sobre pressão”

Fiquei refletindo sobre esse “sobre pressão”, que aliás o correto é “trabalhar sob pressão”. Uma condição. Talvez quem escreveu o anúncio estava sob muita pressão para pensar sobre o que estava escrevendo.

Eu entendo que em determinadas áreas o serviço é em ritmo acelerado, prazos curtos, e que é normal se trabalhar com dinamismo e responsabilidade, mas “sob pressão”? São seres humanos e não máquinas. O que esperar de uma empresa que pede isso?

O que seria trabalhar sob pressão? Um chefe te chicoteando as costas para que você trabalhe mais rápido? Ou ser culpado de todo trabalho que não for entregue na hora prevista devido ao curto prazo?

“Neto como andam aqueles relatórios para daqui a uma hora?”

“Seu Rogério, estou atualizando as contas de toda a empresa e as da sua casa conforme o senhor me pediu para hoje. Não acho que será possível entregar os relatórios daqui a 1 hora, mas até o final do dia te dou certeza que…”

“Quero tudo para daqui a 1 hora! Não me importo como você irá fazer, mas fará!”

“Mas senhor, eu…”

“Estamos entendidos Neto?”

“Sim senhor… só mais uma coisa senhor, sua esposa ligou, disse que precisa das contas organizadas para declarar o importo de renda que te pediu mês passado.”

“Ah… bom, faça isso agora, mas em seguida termine os relatórios!”

“Mas e as contas da empresa senhor? O financeiro disse que precisa delas com urgência ou poderão haver complicações. 

“Entendo. Termine as contas então… mas até o final do dia eu quero os relatórios prontos. Entendido?”

“Claro senhor, é uma ótima solução.”

Talvez os profissionais que precisem ter “trabalho sob pressão” no currículo não devessem aceitar tal exigência e simplesmente ignorar esse tipo de empresa. Afinal, nem todas elas devem pensar assim não é mesmo? Ou pensam?

“Precisa-se de garçom para pizzaria, desejamos funcionário que saiba trabalhar sob pressão.”

“Vaga para engenheiro que trabalhe sob pressão.”

“Procuramos médico de plano de saúde, que atenda na hora, não remarque consulta para daqui a meses e trabalhe sob pressão.”

O único profissional que me vem à mente agora, em que trabalhar sob pressão faça sentido é um cirurgião, afinal, ele cuida de vidas. “Cirurgião que saiba trabalhar sob pressão” ou talvez alguém que cuide da segurança nacional.

“Serviço secreto procura espião que trabalhe bem sob pressão.”

Voltando ao anúncio, após meus devaneios, vi que os requisitos do candidato continuavam.

“Ter Espírito de Servir”

Esse confesso que fiquei algum tempo tentando entender, afinal a vaga não era para um lojista, atendente ou garçom. Fiquei tentando encontrar profissões que se enquadrassem com esses dois requisitos.

“Próximo!”

“Bom dia.”

“Bom dia, nome?”

“Manuel Congo”

“Ok, Manuel é o seguinte, precisamos de escravos para o engenho de cana, com experiência.”

“Claro senhor, sou habituado com esse trabalho desde que nasci.”

“Ótimo! Você não acreditaria a quantidade de pessoas que chegam aqui que só começaram a trabalhar com 25, 26 anos… um absurdo. Então, precisamos de pessoas que trabalhem sob pressão e que tenham espírito de servir, acha que dá conta?”

“A pressão é fácil senhor, estou acostumado com trabalho pesado e terminar rápido. Servir é algo que me vem de berço.”

“Perfeito, acho que você poderá começar hoje.”

Bom, talvez falar de escravidão no século XXI seja um pouco demais.

“SOLDADO! ESTÁ MESMO DISPOSTO A SERVIR O SEU PAÍS?!”

“SIM SENHOR, SENHOR!”

“Será preciso dedicação. Aqui você trabalhará sob muita pressão! ESTÁ QUALIFICADO?”

“COM CERTEZA SENHOR!”

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O olhar de um educador

Se quiseres se diferenciar, tem que criar, inovar e encantar

Exige muito esforço , determinação e articulação
são muitas leituras, conversas , encontros
que nunca passam em vão.

Surpreender a cada dia é o segredo da metodologia, transforma ela em magia
Provoca , desafia e permite enxergar outras formas de fazer
Que acabam despertando também outros modos de querer.

Construir um olhar de possibilidades amplia o jeito de olhar a realidade
pois nos dá ferramentas para descobrir caminhos que estavam na inviabilidade.

Luiz Melo

Para todos os criativos, existiu um bom professor por trás que ajudou a construir e ordenar seu mundo.

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O Golpe

– Todos aqui? – Presidia Homero.

– Estou nervoso.

– Calma Mauro. – Retrucou Mariazinha.

– Falta o Pregão. – Zenildo afirma.

– Onde ele está? – Continuou Homero.

– Disse que ia ao banheiro.

– Mas logo agora?!

– Estou nervoso, isso não vai dar certo.

– Mauro pelo amor de Deus! – Fala Mariazinha já nervosa.

– O Pregão disse que não dava pra segurar, estava apertado. – Zenildo continua.

Entrando pela sala vinha o Pregão.

– Cheguei! Ufa…

– Até que fim, não íamos poder te esperar mais. – Fala Homero já sem paciência.

– Gente, que tal se suspendermos a reunião? Hoje não me parece um bom dia e…

– Mauro, eu juro, vou perder a paciência com você! – levanta a voz Mariazinha completamente irritada.

– Muito bem, todos quietos. – Homero diz tomando as rédeas da reunião – O motivo de estarmos aqui é para planejarmos como tomar o controle de Brasília, como todos sabem a situação por lá não anda fácil. Temos que nos espalhar internamente, cada um tomando a frente de um cargo importante em um partido.

– Mas Homero, não vai dar muito na cara não? – Se manifesta Pregão.

– Não se nos comportarmos como um deles. Teremos que fazer todos os outros pensarem que somos seus aliados.

– E como fazemos isso? – Mariazinha pergunta curiosa.

– É não tem como, devíamos deixar isso pra lá. – Diz Mauro.

– Não vai ser fácil! No começo teremos que fazer coisas que não estamos de acordo. – Diz Homero com seriedade – Teremos que aceitar propina! Participar de esquemas, até mesmo roubar impostos se for preciso! Mas precisamos da confiança dos outros políticos.

– Mas isso não pode dar problema pra gente? E se o povo descobrir que estamos roubando? Podemos ser presos.

– É verdade Zenildo, podemos! Mas teremos que nos arriscar por um bem maior. Alguns de nós serão pegos, ficarão com a ficha suja, é um fato! Mas se isso acontecer, só vai favorecer nosso golpe. As pessoas que forem punidas pela justiça só ganharão mais a confiança dos chefões dos partidos.

– Tá, mas e quando o golpe de fato vai começar? – Pregão se mostra cada vez mais curioso.

– Não há data exata, assim que nos aceitarem como um deles começaremos a agir. Quando todos não estiverem olhando, criaremos leis que favorecerão o povo! Mandaremos cartas anônimas denunciando os ladrões e o abuso de poder. Vamos nos aproveitar do voto secreto para votar contra a politicagem.

– Acho que estou entendendo, ninguém vai desconfiar de nós porque também já estaremos “sujos” na praça, mas o que vamos fazer com o dinheiro que “recebermos” da propina e dos desvios? – Diz Zenildo fazendo o sinal de aspas com as mãos ao falar “sujos” e “recebermos”.

– Podemos doar para a caridade, afinal ninguém vai saber… – sugere Mauro tentando se manter calmo.

– Mas pera, se ficarmos um mandato inteiro lá sem aparentemente melhorarmos nossas condições financeiras as pessoas vão desconfiar! – Rebate Mariazinha.

– Sim, por isso que nos primeiros 3 meses iremos gastar esse dinheiro com carros caros e casas luxuosas. Viajar para o exterior é um bom modo de ganhar visibilidade também, tudo o que for bem fácil de ser notado. Depois que atingirmos nossos objetivos poderemos indicar candidatos honestos para cargos, afinal, nessa altura já teremos influência lá dentro. – Aconselha Homero.

– Mas e depois que conseguirmos o controle? O que fazer com o lucro que adquirimos? – Pregão tenta entender.

– Já sei, aí sim podemos doar o que ganhamos pra caridade. – Insiste Mauro.

– Não serei hipócrita! Muito desse dinheiro será gasto nas campanhas dos novatos que iremos indicar, mas o que restar… sei que vocês se sentirão tentados a não devolver, por isso assinaremos um termo de compromisso registrado secretamente em contrato. – Explica Homero.

– Epa, epa, epa… mas isso vai servir como prova do que estamos planejando! – Pregão sorri irônico.

– Verdade, mas um de nós guardará isso consigo o tempo todo, em um lugar que somente ele irá saber. Eu sugiro que seja o Mauro, todos de acordo?

Antes que Homero continuasse a votação Mauro se manifesta.

– POR QUE EU?! Não quero isso pra mim não, é muita responsabilidade!

– É verdade o Mauro é fraco, deixa isso comigo.

– Com você não Pregão, você é muito irresponsável! – Mariazinha se impõe.

– Acalmem-se! – Homero tenta apaziguar os ânimos – Mauro é a melhor escolha, pois ficará com um cargo menor e não chamará muita atenção, além disso, não existe alguém mais honesto entre nós que ele.

Mauro era uma pessoa extremamente ingênua, até hoje morava com a mãe e sempre dizia a ela com exatidão a que horas voltaria para casa.

– Essa ingenuidade dele pode custar o plano todo, ainda acho que eu deveria ficar com os documentos. – Insistia Pregão.

– Você nunca gostou de responsabilidades, porque isso de repente? – Mariazinha suspeitava.

– Ora apenas quero colaborar! – Pregão se irritava com Mariazinha.

– Pois eu sou contra Pregão ficar com esses documentos e me retiro do grupo se qualquer outra pessoa além do Mauro ficar com eles. – Mariazinha explodia.

-E eu não aceito isso, esse banana vai entregar o plano e afinal de contas, você é o que dele para ficar defendendo? A mãe?!

Ao se exaltar, Pregão levantava os braços, quando Zenildo percebe algo em baixo de sua camisa.

– ELE ESTÁ GRAMPEADO! EU VI! – Zenildo grita apontando para Pregão.

Antes que pregão tentasse qualquer coisa, foi agarrado pelos colegas da sala.

Mariazinha inspecionava o aparelho que retirou da cintura de Pregão.

– Eu sabia que isso ia dar errado! O que vamos fazer?!

– Quieto Mauro! Mariazinha, ele estava transmitindo para alguém? – Pergunta Homero.

– Não, apenas gravando.

– Mas o que faremos agora? – Pergunta Zenildo.

– Continuaremos o plano. – Diz Homero com certeza.

– E o que faremos com ele? – Mauro aponta com a cabeça para Pregão enquanto o segura.

– Precisaremos dar um sumiço nele. – Homero fala com uma expressão sombria.

– Mas… isso é demais, não podemos fazer isso! – Mauro diz assustado.

– Poderíamos exilar ele em outro país. – Sugere Mariazinha.

– Mas isso não é ditadura? – Diz Zenildo.

Homero pensa por um minuto, olha para todos e concorda com Mariazinha.

– Isso será pelo bem do País.

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Insônia

A beleza de se estar com insônia é como você tem clareza em pensar em coisas que na verdade não importam. Na verdade importam, e é por isso que você pensa a respeito, mas quando o mundo acorda novamente e você se vê obrigado a voltar a rotina, a sociedade, as coisas que você pensou são deixadas de lado. Para uma outra oportunidade que muitas vezes não chega e tudo é esquecido.

Existe uma certa paz na madrugada. Suas obrigações somem, ninguém está contando com você pra nada e mesmo assim, sua mente te prega peças pensando no porquê tudo é tão difícil? Por que as coisas são assim? Por que estou sozinho? Mas aí algo acontece. Quando você se cansa dos questionamentos e relaxa, se entrega ao marasmo da noite, desiste da luta tudo parece calmo… tranquilo. Somente um vazio, interropido pela manhã que percebemos que nunca gostaríamos que chegasse, pois estavamos curtindo muito o marasmo.

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Ligação da madrugada

– Anda, joga logo, é sua vez.

– Estou pensando, calma.

Aquele jogo de buraco não ia a frante com Washington demorando tanto, mas também, aquela hora da madrugada quem poderia se concentrar.

A Agência Espacial a Serviço da Busca por Inteligência Extraterrestre funcionava por turnos, e a madrugada era de Brian e Washington. O monitoramento consistia em enviar e receber sinais ao espaço e procurar por movimentações que poderiam ser provas de vida extraterrestre. – “Tudo isso é muito bonito na teoria, mas na prática é passar a madrugada sem fazer muita coisa, as vezes registrando um cometa fora de órbita” – Costumava dizer Washington para sua esposa.

Chovia muito naquela noite, Brian estava cada vez melhor no Buraco, fazendo Washington passar por mals bocados constantemente.

– Você já me deve um ingresso para o jogo haha. – Dizia ele achando graça da desgraça do colega.

Brian que no passado foi um grande entusiasta no começo da carreira, agora já não acreditava tanto assim em vida inteligente no espaço. Claro, vida num universo tão grande definitivamente existiria, mas daí acreditar que uma comunicação entre essas espécies com os humanos fosse possível era coisa do passado. Ele não era mais tão inocente.

– Vamos lá, ta na hora de virar esse jogo.

– Shhh, escuta.

– O que?

Brian levantou para olhar o painel, quando viu um sinal sendo detectado. Whasington agora levantava apressado derrubando as cartas e começava a efetuar os procedimentos padrão.

– Eu nunca vi algo assim antes. – Dizia Brian surpreso.

– Nem eu, de onde está vindo?

– Estou rastreando, me dê mais 1 segundo.

– Rápido, vamos perder o sinal.

– Achei! Vem das proximidades de Júpiter.

– Vou isolar a área… consegui. Vem de Ganimedes! – Washington não podia acreditar.

Como era possível, anos trabalhando na NASA e nunca nada assim tinha sido visto. Um sinal, claro, buscando comunicação.

– Sumiu! Não acredito, droga.

– Decifrou?

– Não mas gravei, foi muito rápido, não deu tempo pra nada. – dizia Brian preocupado.

– Mas pelo menos está registrado, ninguém vai achar que foi delírio nosso.

Existia uma piada interna na NASA a respeito de um antigo funcionário aposentado, que alegava ter conversado por mais de 1 hora com um extraterrestre. Como nunca houve provas, e por ter sido tarde da noite, todos achavam que se tratava de um delírio causado pelo sono.

“Eu sei o que vi! Ele queria saber sobre Páscoa!”

“A data comemorativa?”

“Não, a ilha! Dizia algo sobre telefonar para casa”.

Claro, o veterano não passava de chacota agora, principalmente por citar que os E.T.s o convidaram para uma social na lua. Levou o mês todo tentando convencer seu superior a mandá-lo ao espaço para encontrar seus amigos alienígenas, mas não teve sucesso no pedido.

– Certo, não vamos perder tempo. Eu vou começar a analisar a mensagem e você tente um novo contato com eles. Mande o sinal para as mesmas coordenadas. – Washington instruia Brian.

– Mas que tipo de sinal?

– Em… espera… eu… nunca vi um sinal assim, que formato é esse?

– Continua analisando, tenta decifrar. Vou mandar em código Morse.

Washington continuou uma análise incessante no sinal recebido. Todos na NASA estavam boquiabertos com o que havia acontecido. Nunca se tinha ouvido falar de uma atividade registrada tão surpreendente.

Agora Brian e Washington trabalhavam em tempo integral, apesar de seus superiores quererem “assumir” a descoberta, eles estavam decididos a acompanhar cada passo do que estava acontecendo. Sua liderança na pesquisa só foi permitida pois apenas eles sabiam a localização exata de onde o sinal havia sido enviado.

O sinal era absurdamente estranho, 1 mês e meio havia se passado desde o incidente e Washington não havia conseguido decifrá-lo. Exausto e decidido a conseguir ele continuava seu trabalho. As coisas na Agência Espacial já haviam esfriado. A animação havia diminuido após esse tempo sem nenhum resultado nas pesquisas.

Brian havia se dedicado por todo esse mês em uma comunicação com os E.T.s, com mensagens de rádio ele procurava as formas inteligentes de vida que enviaram o sinal de uma das luas de Júpiter.

Foi numa madrugada, novamente sozinhos em seu turno. Brian e Washington praticamente moravam na Agência Espacial agora. Brian enviara incessantemente uma mensagem para Ganimedes que dizia: “Recebemos o seu sinal, mas não o entendemos. Por favor, reenvie usando esta linguagem e este código de transmissão”. Sem sucesso até então, quando menos esperavam o sinal reapareceu!

– São eles! São eles! – Gritava Brian para Washington, que largava o que estava fazendo para ajudar na comunicação.

– Analisando o sinal… BRIAN! ESTÁ EM CÓDIGO MORSE!

– O que diz?

“Nós não estamos falando com vocês”.

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Quem controla o mundo?

Pela rua um menino caminhava, voltava pra casa da brincadeira quando uma senhora o parou. Ainda com os joelhos ralados, ele a atende.

– Meu jovem, você está indo para sua casa?

– Sim, mas eu não devia falar com você. Mamãe disse pra não falar com estranhos.

– Hehehe, sua mãe é muito sábia… só gostaria de deixar esse panfleto com você para entregar a ela.

Ele lê baixinho o título “Quem controla o mundo? Deus? O Homem? Nenhum dos dois?”

Então a senhora continua.

– Você sabe?

– Olha, lá em casa quem manda é mamãe, mas ela vive dizendo que eu estou fora de controle.

– Mas você não acha que existe algo maior que ela controlando tudo?

– Meu pai é maior que ela. Mas pra ser sincero acho que ele não controla ninguém não.

– Sim, mas…

– Outro dia ele disse que mamãe é a mandachuva lá em casa, que tenho que obedecer ela, e que ele também obedece ela.

– Mas você não acha que Deus manda mais que sua mãe? – A senhora sorri, tentando fazer o menino pensar.

– A vovó vai na igreja. Diz ela que é pra falar com Deus. Eu nunca falei com ele. Acho que só fala com gente grande. Ela fica o dia todo falando com ele, eu prefiro brincar.

– Sim, mas é importante que você…

– Ah já sei! Na escola a professora disse que as forças da natureza controlam o mundo! Eu também acho.

– E quem controla as forças da natureza? – A senhora agora começa a demonstrar impaciência com o menino.

– Depende da força. Olha o mar quem controla eu acho que é o vento. Uma vez papai me disse que o bom é ser livre como o vento. Acho que ninguém controla ele então.

– Certo meu jovem. É importante que você conheça Deus, você não tem medo que satanás volte?

– Ah eu tinha medo de fantasma. Algum deles chama satanás? Mas eu perdi o medo, um dia meu cachorro, viu um e saiu latindo, ele espanta os fantasmas. Agora quando eu acho que ouço um eu lato e fica tudo bem.

– Seu cachorro viu um fantasma?

– Viu! Acho que ele tava tentando entrar em casa. Do nada meu cachorro saiu latindo pra porta, mas quando eu fui olhar não tinha nada lá. Só umas cartas no chão. Mas eu não ouvi nada.

– Olha, o que quero tentar dizer é que é importante você conhecer Deus. Ele é o Senhor!

– Qual senhor? Aquele que mora ao lado?

– Ao lado e em em todo lugar.

– Ah mas isso é uma mentira, porque eu sei bem que o senhor mora no 14. Ele tem uma porção de animais, e mora sozinho. Até tartaruga ele tem!

– Sim, mas não é…

– Eu adoro animais. Eles são fáceis de entender. Gente grande é complicada…

– Por que acha isso?

– A senhora por exemplo. Podia ta brincando, já que não tem dever de casa, mas ta aqui no sol. Querendo descobrir quem manda no mundo. Essa saia não esquenta não? – o menino passa a mão na saia comprida da mulher, antes dela se afastar.

– Olha… faça assim meu jovem, vá pra casa e entregue esse panfleto que te dei para sua mãe e leve mais esses dois para sua avó e seu pai ok?

– Ta certo! Tchau!

E o menino saiu correndo em direção ao portão de casa. A senhora continuou seu caminho, distribuindo seus panfletos enquanto pensava como estava fazendo calor.

Naquela tarde o menino se divertiu muito com os aviões de papel que fez. Aqueles panfletos tinham a textura perfeita para fazer os que voam mais longe.

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Contato imediato

A apreensão  tomava conta de seu corpo, nessa altura dos acontecimentos toda a nave já havia  sido vítima da criatura. Armado até os dentes com lança-chamas e granadas de  fumaça já não sabia mais se era o caçador ou a caça. Como é possível que uma  gosma preta com aproximadamente 10 cm pudesse derrubar 2 adultos, uma criança e  um cachorro apenas tendo contato com a pele?

Os  nervos pareciam que se partiriam, de repente “AHHH” uma goteira vinda da  ventilação quase o mata do coração quando cai em sua frente. Respira fundo. E  continua…

 
Com  os óculos especiais de calor avista a criatura. Ela é mais rápida do que  imaginava, não há tempo para atirar!

 
De  frente para o monitor assistindo apreensivo ao filme, penso como o herói irá se  safar dessa e no mesmo momento percebo algo com o canto do olho se movendo  entre a estante e a porta. Ainda assustado pelo filme, mas calmo e movido pela  curiosidade viro lentamente a cabeça para ver o que se move ali e percebo que o  vulto tem a mesma reação!

Incrédulos,  eu e o vulto, ficamos nos observando por aproximadamente 3 segundos que  pareciam parar o tempo, pensando: “Que diabos?!”

Rapidamente  quando termina o estranhamento o ratinho que me observava da porta e eu caímos em  si do perigo para ambos e num movimento quase “the fláshico” ele volta correndo  para baixo da estante, enquanto eu… Bem eu faço o que qualquer homem de 20  poucos anos faria. “MÃEEEE!”

Ora,  não me leve a mal, mato quantas baratas e insetos forem necessários, removo  quantos lagartixas forem precisas, lido com quantas lacraias estiverem  incomodando, mas UM RATO?! Ele te observa com os olhinhos cheios de expressão,  tem reações inteligentes, aparenta saber coisas que você não sabe, ELE ESPIRRA!  Definitivamente não iria subir em uma cadeira e gritar, mas com certeza não  colocaria minhas mãos nele para colocá-lo para fora e muito menos cometeria o  assassinato de meu parente mamífero.

A  cena a seguir seria hilária se não fosse trágica, com a ajuda da minha mãe  armada de uma vassoura, já não sabendo mais se eu era o caçador ou se havia me  tornado a caça, juntos fechamos todas as entradas da casa e abrimos caminho  para a saída, fizemos o rato correr de baixo da estante que como um raio tentou  fugir para o banheiro, mas sem perceber que a porta estava fechada, assustado,  bateu com a cabeça nela, ainda zonzo, se dirigiu a sala, que tinha caminho  livre, pois não havia porta barrando o caminho, mas se deparou comigo assustado, tentando  assustá-lo, o que surpreendentemente deu certo.

Em um  desfecho incrível, minha mãe da uma vassourada no pequeno invasor que,  provavelmente, o fez ter a viagem mais rápida de sua vida. Da copa para o lado  de fora da casa em menos de 1 segundo.

Nessa  altura do campeonato, a criatura correu para baixo da escada do quintal, onde  ficam as ferramentas, envolto na noite escura, com a promessa de que  retornaria.

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Reencontro

– Mário!!
– Lucinha! Não acredito. É você mesma?
– Claro que sou, como você está?
– Estou ótimo, nossa, faz o que? 5 anos? 6?
– 7 anos, mas quem está contando?
– Você está linda, o que tem feito?
– Ah, você sabe, cuidando de mim.
– Fiquei sabendo que casou com… quem mesmo foi? O Pedro?
– Isso, mas terminou, separamos ano passado.
– Ah que pena.
– Não, não sinta. Durou 1 ano, mas não era pra dar certo.
– Ah vá, eu lembro que quando namorávamos você vivia dizendo que achava ele bonito.
– Verdade, mas com o tempo a gente conhece melhor, não é? Eu e o Pedro não tínhamos química. Pensando bem, não tínhamos
química, história, geografia, matemática…
Mário sorri – pelo menos eu e você temos história né Lucinha?
– Isso é verdade! Como aprontamos! Lembra daquela vez?
– Que fugimos da sua mãe!
– Pelos fundos da festa do Robertão! Hahahaha.
– Hahaha.
– Bons tempo né Má?
– Bons tempos.
Um silencio agradável toma conta, com ambos ainda sorrindo.
– A gente sempre se deu bem, porque terminamos mesmo? – questionou Mário.
– Não sei Má, a vida creio eu. Você trabalhava muito e eu estava estudando.
– Mas sempre tinha tempo pra minha jabuticaba.
– Ai meu Deus, você ainda lembra desse apelido?! Quanto tempo ainda vai levar pra você esquecer ele? hahaha. Por favor né?
– Impossível esquecer Jabuticaba, você sempre foi difícil de esquecer. Ainda não entendo como te deixei escapar.
Ela o olha com carinho e com saudade.
– Má, você não quer tomar uma cerveja comigo agora?
– Eu iria adorar, porque não vamos no bar aqui perto?
– O do Baiano?
– Isso. Matar os velhos tempos.
– Vou adorar.
Os dois caminhavam em direção ao bar.
– Hoje está passando o jogo do Vascão.
– Esse seu timinho não tem nada de “ão”, haha.
– Vencedor invicto desse ano pro seu governo.
– Mas não bateu meu Flamengo.
– Ah por favor estamos falando de time de verdade aqui né?!
– Não entendo como te aguento, sinceramente…