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Dando cor às ideias

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DIÁRIO DE UM BAGUNCEIRO

1º dia:

Ao ver o estado em que se encontrava minha mesa de trabalho e não somente ela, todo o estado de caos que estava meu quarto decidi não mais ser  bagunceiro. Uma decisão simples. Direta. O primeiro passo será arrumar toda essa bagunça. Criar uma organização que faça sentido para mim.

2º dia:

Levei um dia inteiro para arrumar tudo. Ontem a dedicação para “desbagunçar” foi tanta que a organização se estendeu naturalmente ao guarda-roupa. Agora todas as roupas estão nos devidos lugares, a mesa impecavelmente organizada, o quarto um brinco.

3º dia:

Os primeiros sinais de que a bagunça quer voltar a vida começaram a aparecer. Pequenas coisas “surgem” fora do seu lugar. É possível se notar em cima da mesa um ou outro papel que não deveria estar ali e um par de moedas. A bagunça não se dará por vencida tão fácil. Vou organizar esses detalhes e traçar um plano para que isso não se repita.

4º dia:

Minha experiência de ontem me fez pensar, notei que para evitar que a bagunça ressurja devo enfrentar sua aliada, a preguiça. Toda vez que me entrego a essa indolência a bagunça avança. Devo ficar atento a preguiça, ela é perigosa.

5º dia:

Tenho dúvidas se não dar espaço a bagunça é tão simples como imaginei, combater a preguiça tem sido desgastante. Evitar chegar da rua e jogar tudo em cima da mesa para deitar não tem sido fácil. As coisas demandam muito esforço para irem para seus devidos lugares.

6º dia:

Enfrentar a desordem tem se transformado uma guerra, por mais que me esforce as coisas tem saído de controle. Coisas não param de pipocar fora do lugar, a mesa se tornou um campo de batalha, onde o tempo todo a preguiça me apunhala pelas costas. Gasto tanto tempo na mesa que pares de meias e bolsas tem invadido o chão enquanto me mantenho ocupado com ela.

7º dia:

Começo a perceber que me meti em um jogo muito perigoso. A bagunça sempre soube de sua superioridade, esteve esse tempo todo brincando comigo, num jogo doentio. Desde o princípio ela tem usado minha sanidade como diversão.

8º dia:

A bagunça não mais esconde sua crueldade, ela ri na minha cara me torturando com seus jogos. A guerra é muito pior do que imaginava, além da preguiça tenho descoberto que a bagunça tem outros aliados. O tempo joga a seu favor, conforme esse agente duplo abandona meu lado da guerra e fico sem ele, mais difícil fica de controlar as coisas, não estou certo se conseguirei sair dessa, me entregar não é mais uma opção, tracei um caminho sem volta.

9º dia:

A desordem cresce em várias frentes. Não tenho como enfrentar isso. A cama se encontra em estado de calamidade, estive tão dedicado a enfrentar cara a cara a bagunça que não percebi que as coisa em volta ruíam. Roupas, a cama desarrumada, arquivos no computador espalhados, a mesa que foi meu refúgio de controle já não me pertence mais. Itens corriqueiros como um pendrive e papéis e outros inexplicáveis como copos, sim no plural, copos, ocupam a mesa. As roupas espalhadas têm se reproduzido assexuadamente em progressão geométrica, estão em toda parte! A guerra se tornou constante e pesada, não sei se sobreviverei a esse inferno.

10º dia:

Após notar que não havia espaço para dormir, pois a bagunça instalou seu Q.G. onde um dia foi minha cama, decidi recuar. Não tenho mais forças… fugirei e viverei hoje, para quem sabe um dia voltar para enfrentá-la. Talvez com ajuda… ou quem sabe trazendo alguém que seja capaz de enfrentar o que eu não pude.

 

Vitor Victor

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A CARTA

Caro Almir do telefone igual ao meu, porém com DDD 28, acredito que sua oficina esteja indo de vento em popa, uma vez que recebo ligações de clientes seus até no sábado 6 da manhã pedindo guincho, inclusive recentemente você contratou um eletricista para a oficina! Sei disso pois os clientes agora também começaram a perguntar por ele.

O negócio é o seguinte, visto que seus negócios estão indo bem, eu quero o pequeno incentivo de 10 mil para não contar a sua ex-esposa, que vive me mandando torpedo cobrando a pensão da sua filha, que na verdade você tem grana e finge não ter. Afinal o que são 10 mil contra um processo por não pagamento de pensão não é verdade?

Sinceramente, um amigo.

Obs.: Rafael ligou procurando o eletricista, disse que é urgente. Grande abraço!

 

Vitor Victor

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A REDE

A formiga andava sobre a mesa momentos antes de ser esmagada por um dedo.

“Não mata a bichinha coitada! Ela não fez nada!”

“Se deixar ela conta o caminho pras amiga.”

 

Vitor Victor

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REENCONTRO

– Mário!!
– Lucinha! Não acredito. É você mesma?
– Claro que sou, como você está?
– Estou ótimo, nossa, faz o que? 5 anos? 6?
– 7 anos, mas quem está contando?
– Você está linda, o que tem feito?
– Ah, você sabe, cuidando de mim.
– Fiquei sabendo que casou com… quem mesmo foi? O Pedro?
– Isso, mas terminou, separamos ano passado.
– Ah que pena.
– Não, não sinta. Durou 1 ano, mas não era pra dar certo.
– Ah vá, eu lembro que quando namorávamos você vivia dizendo que achava ele bonito.
– Verdade, mas com o tempo a gente conhece melhor, não é? Eu e o Pedro não tínhamos química. Pensando bem, não tínhamos
química, história, geografia, matemática…
Mário sorri – pelo menos eu e você temos história né Lucinha?
– Isso é verdade! Como aprontamos! Lembra daquela vez?
– Que fugimos da sua mãe!
– Pelos fundos da festa do Robertão! Hahahaha.
– Hahaha.
– Bons tempo né Má?
– Bons tempos.
Um silencio agradável toma conta, com ambos ainda sorrindo.
– A gente sempre se deu bem, porque terminamos mesmo? – questionou Mário.
– Não sei Má, a vida creio eu. Você trabalhava muito e eu estava estudando.
– Mas sempre tinha tempo pra minha jabuticaba.
– Ai meu Deus, você ainda lembra desse apelido?! Quanto tempo ainda vai levar pra você esquecer ele? hahaha. Por favor né?
– Impossível esquecer Jabuticaba, você sempre foi difícil de esquecer. Ainda não entendo como te deixei escapar.
Ela o olha com carinho e com saudade.
– Má, você não quer tomar uma cerveja comigo agora?
– Eu iria adorar, porque não vamos no bar aqui perto?
– O do Baiano?
– Isso. Matar os velhos tempos.
– Vou adorar.
Os dois caminhavam em direção ao bar.
– Hoje está passando o jogo do Vascão.
– Esse seu timinho não tem nada de “ão”, haha.
– Vencedor invicto desse ano pro seu governo.
– Mas não bateu meu Flamengo.
– Ah por favor estamos falando de time de verdade aqui né?!
– Não entendo como te aguento, sinceramente…

 

Vitor Victor

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CONTATO IMEDIATO

A apreensão  tomava conta de seu corpo, nessa altura dos acontecimentos toda a nave já havia  sido vítima da criatura. Armado até os dentes com lança-chamas e granadas de  fumaça já não sabia mais se era o caçador ou a caça. Como é possível que uma  gosma preta com aproximadamente 10 cm pudesse derrubar 2 adultos, uma criança e  um cachorro apenas tendo contato com a pele?

Os  nervos pareciam que se partiriam, de repente “AHHH” uma goteira vinda da  ventilação quase o mata do coração quando cai em sua frente. Respira fundo. E  continua…

Com  os óculos especiais de calor avista a criatura. Ela é mais rápida do que  imaginava, não há tempo para atirar!

De  frente para o monitor assistindo apreensivo ao filme, penso como o herói irá se  safar dessa e no mesmo momento percebo algo com o canto do olho se movendo  entre a estante e a porta. Ainda assustado pelo filme, mas calmo e movido pela  curiosidade viro lentamente a cabeça para ver o que se move ali e percebo que o  vulto tem a mesma reação!

Incrédulos,  eu e o vulto, ficamos nos observando por aproximadamente 3 segundos que  pareciam parar o tempo, pensando: “Que diabos?!”

Rapidamente  quando termina o estranhamento o ratinho que me observava da porta e eu caímos em  si do perigo para ambos e num movimento quase “the fláshico” ele volta correndo  para baixo da estante, enquanto eu… Bem eu faço o que qualquer homem de 20  poucos anos faria. “MÃEEEE!”

Ora,  não me leve a mal, mato quantas baratas e insetos forem necessários, removo  quantos lagartixas forem precisas, lido com quantas lacraias estiverem  incomodando, mas UM RATO?! Ele te observa com os olhinhos cheios de expressão,  tem reações inteligentes, aparenta saber coisas que você não sabe, ELE ESPIRRA!  Definitivamente não iria subir em uma cadeira e gritar, mas com certeza não  colocaria minhas mãos nele para colocá-lo para fora e muito menos cometeria o  assassinato de meu parente mamífero.

A  cena a seguir seria hilária se não fosse trágica, com a ajuda da minha mãe  armada de uma vassoura, já não sabendo mais se eu era o caçador ou se havia me  tornado a caça, juntos fechamos todas as entradas da casa e abrimos caminho  para a saída, fizemos o rato correr de baixo da estante que como um raio tentou  fugir para o banheiro, mas sem perceber que a porta estava fechada, assustado,  bateu com a cabeça nela, ainda zonzo, se dirigiu a sala, que tinha caminho  livre, pois não havia porta barrando o caminho, mas se deparou comigo assustado, tentando  assustá-lo, o que surpreendentemente deu certo.

Em um  desfecho incrível, minha mãe da uma vassourada no pequeno invasor que,  provavelmente, o fez ter a viagem mais rápida de sua vida. Da copa para o lado de fora da casa em menos de 1 segundo.

Nessa  altura do campeonato, a criatura correu para baixo da escada do quintal, onde  ficam as ferramentas, envolto na noite escura, com a promessa de que  retornaria.

 

Vitor Victor

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